Os Riscos da Novidade: Jejum Intermitente

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Conhecendo nosso corpo

Nosso organismo e constituído por sofisticados sistemas (circulatório, neurológico, respiratório, digestivo, reprodutivo e nervoso), órgãos, tecidos, milhões de células e átomos. Não somos feitos somente de uma única célula e sim de 100 trilhões; não só de um átomo, mas de octilhões, tudo isso e mantido, restaurado, equilibrado através dos nutrientes presentes nos vários grupos alimentares, além de água e oxigênio. Somos realmente uma máquina bastante complexa e, além do nosso corpo físico, visível, possuímos mais 3 dimensões: a mental, emocional e a dimensão energética. Para manter a homeostase do nosso corpo precisamos manter equilibradas e harmônicas essas quatro dimensões que são tão sensíveis e interdependentes.

Quando e necessário perder peso é fundamental iniciar o processo descobrindo como esses quatros corpos funcionam, pois cada um de nós possui uma rica e peculiar individualidade, bioquímica, genética e subjetiva.

O alimento que é bem digerido para um pode ser ultra intolerante para outro, por isso, a dieta ou o plano alimentar de perda de peso deve ser individualizado e especifico para cada caso. Não há fórmula mágica, rápida e genérica. Todos temos que descobrir nosso caminho próprio de identidade nutricional, com os alimentos que nos nutrem, que combinam com nosso biotipo, com nosso temperamento, comportamento, com a nossa rotina e a nossa personalidade.

Só assim um hábito alimentar pode ser bem estabelecido e sustentável e só assim, os 4 corpos conseguem se harmonizar e emagrecer com beleza e qualidade de vida.

 

Dietas restritivas

Existem várias formas para eliminar aquele peso indesejável. E a mídia está sempre lançando novidades muito atraentes para a grande maioria das pessoas. Hoje em dia, o que mais se fala, é o chamado jejum intermitente, a moda em dieta do momento.

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Para começar qualquer tipo de discussão em torno do polêmico assunto, é preciso destacar que as pesquisas sobre o jejum intermitente ainda estão em estágio inicial, por isso, os resultados ainda não são concludentes. Muitos dos artigos de estudos são pequenos, de curta duração, realizados em animais e não em humanos. Um estudo recente demostrou que o jejum intermitente melhorou a sensibilidade à insulina em homens, mas acabou piorando o nível de glicose em mulheres; desta forma e por apenas esse detalhe, voltamos a perceber a importância de uma dieta especifica e individualizada, que não trate todos os seres humanos como iguais.

 

Jejum Intermitente

É chamado de Jejum Intermitente uma metodologia antiga de regime, com registros desde 1973, em que a pessoa limita a ingestão de alimentos a um período de 12 a 23 horas do dia.

Os benefícios do jejum que tem sido propagados são: aumento do nível do hormônio de crescimento; a melhoria da sensibilidade à insulina e a queda dos níveis de insulina no sangue. Em jejum, o seu corpo inicia processos emergenciais de reparo celular, com ações que incluem a autofagia, em que as células digerem e removem proteínas velhas. Segundo os propagadores do jejum, ele ajuda a perder gordura sem precisar restringir o consumo de calorias; altera os níveis hormonais no corpo de forma a facilitar a perda de peso, liberando mais noradrenalina, que é outro hormônio que auxilia na queima da gordura e acelera o metabolismo.

Mas preste atenção! Todos estes benefícios devem ser muito bem estudados. Não podemos esquecer que cada célula, para ser renovada, necessita de mais ou menos 44 nutrientes, que implica uma alimentação muito variada, isso dentro um prazo hábil para aproveitamento do corpo, diariamente.

 

Cuidado!

Cuidado com dietas restritivas, pois as restrições de grupos de alimentos sempre ocasionam déficit de nutrientes para o organismo, o que consequentemente prejudica o desenvolvimento e a manutenção do corpo, de alguma maneira.

Claro que retirar alimentos do consumo humano, emagrece. Mas a pergunta é: a que preço?

E o mais grave de tudo isso é que alguns pacientes não devem fazer, em hipótese alguma, dietas de restrição alimentar. Muitas dessas pessoas acabam caindo na armadilha da informação nova e entram na moda da nova dieta restritiva sem perceber o imenso prejuízo que estão causando para a sua saúde.

Crianças em fase de crescimento, em que o tamanho do corpo está se desenvolvendo, bem como os números de células, além de estar se formando o equilíbrio na produção de hormônios, são o primeiro grupo de pessoas que não deve restringir alimentos, aleatoriamente, em sua dieta diária.Adolescentes também não podem correr esse risco, já que estão no meio de um complexo processo de maturação que transforma a criança em adulto. Na puberdade, a maioria dos órgãos duplica de tamanho e por isso o corpo necessita de uma dieta rica em todos os nutrientes.

As gestantes devem se cuidar com muita dedicação, evitando restrições drásticas pelo bem de seu corpo e do bebê que carregam. Para a formação de uma nova vida, as mulheres grávidas devem ter uma alimentação rica em ferro para evitar anemia e com bastante ácido fólico para garantir uma boa formação do sistema nervoso do bebê. Esses são nutrientes fundamentais na gestação, mas acima de tudo, essa dieta deve ser rica em frutas e verduras. Já a lactente começa a desempenhar a importante tarefa de produzir o leite e por isso, ela tem a necessidade de calorias a mais para formação deste alimento tão precioso.

Por outro lado, há os diabéticos, que são pacientes tão especiais. Estudos mostraram que o jejum prolongado alternado com alimentação desequilibrada pode alterar o funcionamento da insulina, que é o hormônio que facilita a entrada e o metabolismo de glicose nas células, favorecendo, assim o surgimento do diabetes.

Além de tudo isso, o jejum prolongado leva a um aumento de corpos cetônicos (produtos resultantes da oxidação de ácidos graxos) que, em excesso, diminuem o pH sanguíneo, causando uma acidose que pode provocar um coma em casos extremos. Indivíduos com mutação genética do MCR4, em que ocorrem defeitos como a alterações de equilíbrio, e a possibilidade de transtornos compulsivos, jamais conseguem fazer um jejum por um período longo.

É bom observar que a maioria dos transtornos alimentares, como bulimia e anorexia nervosa, são desencadeados por dietas desequilibradas. Mal orientada e sem conhecer suas próprias necessidades de nutrientes, a pessoa começa a estabelecer padrões que seu corpo não suporta e passa a ter episódios de descontrole alimentar e, principalmente depois de um longo tempo em jejum, passa a comer compulsivamente.

Culturalmente, os adolescentes são especialmente expostos a essa tendência de ficar sem comer por um longo tempo. Daí o perigo de entrarem de cabeça numa dieta que ensina a jejuar.

 

Equilibrando o organismo

O organismo humano é muito inteligente. Qualquer agressão a que você se expõe, ele automaticamente passa a reagir, muitas vezes trazendo consequências drásticas e sem retorno.

Precisamos tomar cuidado com as dietas agressivas, restritivas e radicais, pois perder peso não é fácil. Primeiro precisamos conhecer como reage o nosso organismo, depois corrigir os erros metabólicos e acrescentar os nutrientes essenciais para nutrir a vida. Só com conhecimento e orientação adequada, além de formação de um hábito sustentável e agradável ao corpo, será possível à perda de peso e depois a manutenção da forma estética desejada.

Entrar e sair de regimes da moda também é outra causa do terrível efeito sanfona. Com o estresse provocado pela dieta radical, o corpo sofre em demasia. E assim, quando termina a dieta agressiva, automaticamente, o organismo começa procurar recompensa para os estragos causados e com isso, vem o ganho de peso novamente.

O corpo não gosta de ser judiado, nem se for para ficar bonito.

Trate bem do seu corpinho! Diga não as experiências radicais.

A solução para o emagrecimento está em recriar os nossos cardápios, com qualidade e quantidade equilibrada, seguindo a tendência natural de nossa saúde e de nosso bem estar.

 

ELIANE PETEAN ARENA

Nutricionista

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